Licitação da limpeza vai gerar rescisões e custos de mais de R$ 400 mil à AUPC
Associação assumiu o setor de limpeza do pátio para valorizar os funcionários e diminuir custos com licitações e intermediários
A diretoria da Associação dos atacadistas (AUPC) não concorda com a iniciativa da Ceasa-SC de lançar licitação para contratar empresa para tratar dos resíduos sólidos. É que a AUPC assumiu essa responsabilidade desde 2007, após o cancelamento do contrato da empresa licitada.
“Licitar um trabalho que já está sendo bem executado e sem fins lucrativos, para trocar por uma empresa que não conhece nada da Ceasa e com custos bem maiores não se justifica. É um retrocesso”, argumenta o presidente da AUPC, Pedro Garcia.
“O que vamos fazer com os 23 funcionários da limpeza contratados pela AUPC? Só as rescisões e indenizações deverão custar mais de R$ 400 mil no rateio. Isso é inviável! A AUPC não tem como arcar com esses valores”, ressalta Pedro.
Para ele, o problema não está no pessoal da limpeza, e sim na falta de autorização da Ceasa-SC para a aquisição de novas máquinas e caçambas para o transporte dos resíduos até o aterro sanitário. “Somente com o valor que se gasta com aluguel e manutenção, em um ano poderíamos comprar essas máquinas”.
O ideal seria apenas uma empresa, projeto ou parceria para dar um destino correto ao lixo orgânico produzido na Central. Isso porque, além de varrer todo o pátio e pavilhões, os varredores fazem a coleta seletiva de papel, papelão e plástico que são prensados e comercializados. Esses valores garantem a aquisição de EPIS (Equipamento de Proteção Individual), entre outros.
Já os produtos excedentes da comercialização e ainda bons para o consumo são destinados ao Programa Mesa Brasil, do Sesc. Além de contribuir para amenizar a fome de centenas de famílias, evitam que esses produtos sejam descartados aumentando o volume de resíduos.
AUPC administra 54 funcionários
Atualmente, a Associação administra 54 funcionários, todos devidamente registrados, com benefícios e responsabilidades previstos na CLT - Consolidação das Leis do Trabalho. Estão divididos em três equipes, para ajudar na orientação do trânsito e na entrada de veículos e pedestres, na manutenção e reparos, além da limpeza do pátio, banheiros e sede administrativa da Ceasa.
O trabalho e comprometimento desses colaboradores têm contribuído para buscar uma Ceasa cada vez melhor para trabalhar.
Equipe comprometida e redução de custos
Após a movimentação diária de mais de mil toneladas de frutas, legumes e hortaliças, o resultado no pátio da Ceasa São José vira um cenário de guerra com tanto lixo espalhado. Porém, no dia seguinte tudo estará limpo e organizado novamente. É a equipe de limpeza da Associação dando conta do trabalho.
Mas isso nem sempre foi assim. Nos anos anteriores a 2007, o trabalho de limpeza era realizado por uma empresa que venceu a licitação na Ceasa. O contrato com essa empresa só foi cancelado após vários problemas e uma greve dos funcionários terceirizados.
Com o lixo se acumulando no pátio, a diretoria da AUPC foi obrigada a contratar cinco pessoas para amenizar o problema. Essa iniciativa foi aprovada pelos atacadistas. Assim, a Associação propôs parceria com a Ceasa para assumir a responsabilidade do trabalho de limpeza.
A partir de abril de 2007, a AUPC contratou trabalhadores através de uma cooperativa de trabalhadores. Com o tempo, a cooperativa se desfez e a Associação passou a contratar diretamente, buscando compor uma equipe comprometida com as metas dos atacadistas.
Valorização do trabalhador
A proposta de parceria foi a solução encontrada para valorizar os trabalhadores e diminuir custos com intermediários e licitações. Para ter uma ideia da economia, ainda com a empresa terceirizada, o valor rateado em janeiro/07 foi de R$ 14.143,00. Já, em janeiro/08, sem a empresa licitada, o valor rateado com a limpeza caiu para R$ 8.740,00. Ou seja, os atacadistas economizaram cerca de 60% mesmo pagando salário maior para cada trabalhador.




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